INSCRIÇÕES II Encontrar Espaços de crescer, aprender e ensinar (em Atenor) 5, 6 e 7 de Junho 2015

INSCRIÇÕES

As inscrições podem ser feitas AQUI!

Por email: crescer.aprender.ensinar@gmail.com

Por telefone: 968 722 322

PREÇOS:
10€ (sócio da Lérias Associação Cultural)
20€ (não sócio)
15€ 1 dia (não sócio)
 
O Encontro de Educação decorrerá em simultâneo com o evento Ronda das Adegas. Se está interessado/a em participar agradecemos que realize a sua inscrição até ao dia 1 de Junho.
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PROGRAMA II Encontro de Educação – Encontrar espaços de crescer, aprender e ensinar (em Atenor)

II Encontro de Educação – Encontrar espaços de crescer, aprender e ensinar (em Atenor) 5, 6 e 7 de Junho 2015

Co-Organização Movimento Crescer, Aprender e Ensinar e Lérias Associação Cultural Parceiros: Junta de Freguesia de Sendim, Associação Cultural e Desportiva de Atenor e Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA) e Associação Espaços

PROGRAMA:

Sexta-feira, 5 de Junho

19:00 – Recepção das/dos participantes do encontro

22:30 – Concerto Zíngaros, integrado na programa Ronda das Adegas

Sábado, 6 de Junho

9:30 – Abertura do Encontro

10:00 – 1ª conversa/ conferência: Desafios actuais da universalização da escola: normalizar ou cuidar a diversidade na aprendizagem? com Professor João Caramelo FCPCE

INTERVALO

11:30 – ESCOLAS, COMUNIDADES, ESPAÇOS DE EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS, Parte I

Aprender na sala de aula: Contar e refletir experiências e práticas, com Andreia Duarte, professora do MEM e do Instituto das Comunidades Educativas.

A escola de Monsanto: A cor dos nossos sonhos, um ensino diferente, com Carla Miguel e Raquel Cabanas, professoras.

13:00 – ALMOÇO

14:45 – Palestra: Como as crianças aprendem matemática?, com Miguel Martín, professor.

15:15 – ESCOLAS, COMUNIDADES, ESPAÇOS DE EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS, Parte II

Uma viagem, um caminho de transformação em tempos de mudança: períplos com José Pacheco da Escola da Ponte, com Filipe Jeremias, projecto ERES.                                   – Vínculo, Aprendizagem e Desescolarização, com Agnes Sedlmayr, ativista pelos direitos da criança, “attachment parenting” e “unschooling”                                                                       – Conversa sobre o Projecto Wayra, com Coletivo Wayra de Salamanca interessado em educação livre, que engloba Espaço Educativo, Grupo de Cuidado na Infância e Grupo de Debate.

INTERVALO

16:45 – 18:30Quemunicaçon: Alavanca para Educar? com Jorge Beco, Humanistic Life & Business Coach

18:30 – Visita ao Centro de Valorização do Burro de Miranda (Atenor)

Domingo, 7 de Junho

10:00 – Documentário: Quando Sinto Que Já Sei

INTERVALO

11:30 – PENSAR A ESCOLA AQUI – Escutar crianças, pais, mães, profesores/as, comunidade, com Rosinha Madeira Madeira                                                                             com a participação de Crianças, Pais, Mães, Associações locais, Professores/as e Autarcas, moderador: Miguel Schreck.

13:00 – ALMOÇO

15:00 – Oficina vivencial de educação livre, com Colectivo Wayra;

– Oficina: Educação Científica de qualidade precisa-se! Valerá a pena juntar pais e professores?, com Prof. Alexandre Pinto e Xana Pinto.

 

EM PARALELO

10:00-19:00 Sábado e Domingo

Espaço Criança; Oficinas

**Espaço Artes e Ofícios: Materiais e utensílios de diferentes artes e ofícios (pintura, musica, teatro, ciclo da la (tear, lãs, linhas, tecidos), carpintaria, etc.) + Proposta de oficinas variadas

**Espaço Ciências: Livros, materiais de observação e de experimentação. + Proposta de oficinas variadas

**Espaço Corpo: Trapézio, corda bamba, tela aérea, cama elástica, colchões. + Proposta de jogos

**Espaço Natureza: Espaço natural, elementos naturais, passeios e contacto com a Natureza.

**Espaço Chillout: Almofadas, mantas, musica relax.

Venham e tragam a família!!!

INSCRIÇÕES

O valor da inscrição destina-se a assegurar as despesas associadas ao evento.
10€ (sócio/a da Lérias Associação Cultural)
20€ (não sócio/a)
15€ 1 dia (não sócio/a)

As inscrições podem ser feitas AQUI!

Por email: crescer.aprender.ensinar@gmail.com

Por telefone: 968 722 322

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2ª edição do Encontro de educação! 5, 6 e 7 de Junho de 2015

II ENCONTRAR ESPAÇOS DE CRESCER APRENDER E ENSINAR

Em Atenor (concelho de Miranda do Douro), nos dias 5, 6 e 7 de Junho de 2015.

O II Encontro de Educação – Encontrar Espaços de crescer, aprender e ensinar, é co-organizado pelo Movimento Crescer, Aprender e Ensinar e a Lérias-Associação Cultural.

O Encontro destina-se a munícipes, pais, educadores, crianças e comunidade interessada e comprometida com as questões da educação participada.

Neste evento pretende-se repensar a escola como espaço vivo, dinâmico e curioso, como comunidade de aprendizagem, como lugar cooperativo e de iniciativa transformadora e crítica.

Debate-se a escola, com várias/os intervenientes, pensando-a como espaço educativo – normativo ou diferenciador?, através da iluminação de um amplo leque de olhares, experiências e contextos educacionais.

Contamos consigo,

O Movimento Crescer, Aprender e Ensinar.

O CARTAZ do encontro foi feito pela turma de Pintura da Escola de Artes da Associação Lérias (Professor: Miguel Schreck).

cartaz_finalencontro

INSCRIÇÕES:

Tlm: 968722322

Email: crescer.aprender.ensinar@gmail.com

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Novo evento: 3 de Junho!

DA ESCOLA DA PONTE ÀS COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM: CONVERSANDO COM O EDUCADOR JOSÉ PACHECO (EM ATENOR)

Na continuação do nosso Encontro – Encontrar Espaços de Crescer, Aprender e Ensinar (em Atenor) anunciamos com muito entusiasmo que no dia 3 de Junho pelas 14 horas, teremos no Nordeste Transmontano, na aldeia de Atenor uma Conversa Aberta com o Educador José Pacheco.

José Pacheco é especialista em Música, em Leitura e Escrita e mestre em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Foi o idelizador da Escola da Ponte, localizada em S. Tomé de Negrelos, concelho de Santo Tirso.

Desde 1976, coloca em prática métodos que fogem às escolas convencionais. Sem turmas, ciclos, provas, paredes e muros, a sua proposta, como ele faz questão de dizer, não é feita só com um professor, conta com a participação de toda a equipa, que se mobiliza para ousar e fazer uma educação cidadã.

Neste momento coordena o Projeto Âncora no Brasil, defendendo que a Escola da Ponte pode servir de “protótipo” para outras escolas, mas cada uma deve encontrar a sua própria forma de conceber uma linha de educação/aprendizagem/ensino dentro do espaço da humanização, que é a escola.

LOCAL

Aldeia de Atenor, na antiga Escola Primária.

Concelho de Miranda do Douro.

cartaz J. P. fb

INSCRIÇÃO obrigatória

Faça a sua INSCRIÇÃO AQUI!

Em caso de dificuldades no preenchimento do formulário ou qualquer outro esclarecimento por favor contacte-nos através do email crescer.aprender.ensinar@gmail.com ou telefone 273739230/ 935994441/ 932001625.

Contamos com a vossa participação!

A Equipa Organizadora.

 

Vídeos de interesse:

vídeo 1

vídeo 2

vídeo 3

vídeo 4

 

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Divulgação do Festival O Mundo Somos Nós (Braga)

O MUNDO SOMOS NÓS 2014 - 2

postal - omundosomosnos

Caros(as) amigos(as):
O Festival O MUNDO SOMOS NÓS é realizado anualmente em Braga e tem como principal finalidade angariar fundos para apoiar a manutenção do projecto que existe em Braga desde Setembro de 2013, nomeadamente aquisição de material didáctico, ajuda na remuneração de colaboradores e despesas de voluntários, criação de uma bolsa de apoio às famílias com menos recursos, etc..Este evento não tem quaisquer  fins lucrativos e todos os colaboradores são voluntários.Regressamos com a 2ª edição do festival, que irá decorrer a 14-06-2014, das 10:00 às 04:00 no Museu dos Biscaínhos e Café JUNO, em Braga, sob o mote “pela liberdade, amor e respeito na educação”, incluindo no programa um encontro dedicado à educação holística, onde estarão presentes professores, educadores e pais, partilhando as suas experiências nesta área e abordando os desafios para o futuro.

 

Mais informação e inscrições:

O MUNDO SOMOS NÓS
omundosomosnos.wix.com/projecto
facebook.com/omundosomosnos.projecto
omundosomosnos.festival@gmail.com
969734650-967088557

 

 

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Paragem de autocarro decorada

Durante o encontro intitulado: Encontrar espaços de crescer, aprender e ensinar (em Atenor) nos passados
dias 2, 3 e 4 de Maio 2014, as crianças com a orientação da ilustradora Joana Graça (projecto A Lua Mora Aqui) pintaram e decoraram a paragem de autocarro que se encontra na entrada da aldeia de Atenor.

Esta actividade encantou a criançada, e agradou a população de Atenor, tal como os/as participantes do Encontro.

Partilhamos aqui duas fotos da autoria de Márcia Ferreira, (projecto StiM), com a paragem já acabada de pintar.

paragemAtenor

paragemAtenor.pormenor

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Pós-encontro, espaço de reflexão (I.)

Compartimos a reflexão que nos enviou após do Encontro sobre educação em Atenor Inês Barbosa (doutoranda da Universidade do Minho):

EDUCAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO: ACREDITAR, RESISTIR E CONSTRUIR

Depois de tudo o que temos ouvido nos últimos dias, gostaria de dar um contributo, partilhando convosco algumas reflexões – dilemas, angústias, mas
também esperanças, baseadas naquilo que fui lendo ao longo dos últimos anos (em particular de Ivan Illich e Paulo Freire) e nas experiências pessoais e
profissionais dentro e fora dos muros da escola, como professora, como investigadora, como activista, como dirigente associativa, como mãe.
Quando falamos em educação e transformação parece-me importante reforçar a maior das trivialidades: a educação é sempre transformadora porque a educação não é neutra. Transporta consigo crenças, visões do mundo, ideologias. Por ser uma instituição encarregue de educar seres humanos, desde a mais tenra idade até ao momento em que saem da universidade, oito horas por dia, cinco dias por semana, a escola representa um dos mais importantes veículos de transmissão e inculcação ideológica.
Quando a minha filha me traz como prenda do dia da mãe um avental ou um livro de receitas (o que já aconteceu), está a aprender o que é o patriarcado; quando nos manuais escolares os rapazes não usam brincos e as raparigas não jogam à bola está a lidar com a  heteronormatividade; quando um dia perceber que a sua eficácia na escola se mede pela produtividade confrontar-se-á com o capitalismo.

Por isso quando falamos em transformação na educação é inevitável discutir que sociedade temos e que sociedade desejamos.
Deixo-vos aqui em síntese quatro problemas que identifico nas nossas escolas. Não são novidade, e não são  sobretudo uma fatalidade.

1) Escola desactualizada
Os termos podem mudar – objetivos, conteúdos, competências, metas; os currículos podem ser alterados – mais ou menos português, blocos de 45 ou 90 minutos; os concursos e a avaliação de professores podem ser sucessivamente renovados, mas na prática, o sistema de ensino, o modelo e estrutura escolar, mantém-se  inalterado praticamente desde a sua criação. Por vezes fazem-se avanços, muitas vezes retrocessos. As mudanças tecnológicas das últimas décadas não se têm feito notar no contexto escolar. No geral, a educação continua a ser bancária, como Paulo Freire alertava há quarenta anos: o professor deposita saberes acabados, os alunos assimilam passiva e acriticamente e na hora do exame despejam uma série de conteúdos desfasados da sua realidade.
As crianças e adolescentes deste século (e as que têm oportunidades para isso, claro) navegam na internet, nas redes sociais, falam com o tio que está do outro lado do planeta por skype; dedilham nos telemóveis, IPADs e nos tablets; jogam videojogos, são capazes até de os produzir; contudo, quando passam os portões da escola, entram numa espécie de universo paralelo onde ainda vigora o quadro preto, a secretária do professor e as cadeiras em linha.
É desactualizada também porque a escola já não é garantia de emprego ou mesmo de mobilidade social. Assistimos a profundas reestruturações no campo
do trabalho que não têm tido repercussões evidentes no campo educativo. E quando as têm é para incluir discursos neoliberais como empreendedorismo ou
empregabilidade.

2) Escola reprodutora das desigualdades
Ao mesmo tempo que se sucedem importantes avanços tecnológicos, as desigualdades sociais, culturais, educativas, económicas, geográficas, transformam este mundo numa esfera polarizada, onde o progresso de uns, concorre com a exclusão e marginalização de muitos outros.
Apesar dos esforços e objetivos para os quais foi criada, a escola pública não tem conseguido colmatar essas desigualdades, pelo contrário, muitas vezes tem contribuído para perpetuá-las e acentuá-las. É o que vejo nos percursos curriculares alternativos, nos cursos técnicos, nos CEF, nos PIEF e siglas do género. E por isso, não tenho qualquer pudor em dizer que a escola é violenta. É violenta para com os ciganos, os imigrantes, as classes mais baixas, para com todos os alunos que me disseram desistindo “eu não sou capaz de aprender”, “eu não sou boa na escola”. As teorias da reprodução de Bourdieu ou do cliente ideal de Becker continuam tão actuais como dantes. A austeridade tem contribuído para reforçar essa situação: aumentando o número de alunos por turma, reduzindo o apoio aos alunos com necessidades educativas especiais; ou encerrando os centros de novas oportunidades.

3) Escola desligada da realidade
Se houve eleições, não se fala em democracia; se vivemos uma crise não se discute sobre ela nela; se há uma catástrofe natural é como se nada tivesse acontecido. A escola comporta-se como uma instituição alienada e alienante, incapaz de se dobrar ao mundo, vazia, fechada, autista. Há um muro imenso que separa a escola da vida. Em muitas escolas onde trabalhei esse muro não é apenas simbólico, os pais dos alunos são proibidos de passar para lá dos portões; as visitas de estudo já pouco se fazem. Fabricam-se crianças e adolescentes egocêntricas ou escolocêntricas, sem ferramentas para agir e participar na sociedade. “A alienação no mundo da escola, a preparar a alienação no mundo do trabalho.” Essa alienação é agravada pelo facto de, ano após ano, as crianças estarem a perder a sua autonomia e liberdade. Os seus tempos vivem regulados por campainhas. Vivem em bolhas. Aulas de substituição, actividades de enriquecimento curricular, centros para actividades de tempos livres, têm levado a que cada vez mais o quotidiano das crianças seja dentro de instituições, decidido e vigiado por adultos que escolhem com quem brincam, quando brincam e como brincam. Às crianças e adolescentes resta adaptar-se, obedecer ou resistir, e arcar com as consequências.

4) Escola burocratizada e empresarial
A alienação e perda de autonomia das crianças faz-se também sentir na classe dos professores que hoje se vêem a braços com a burocratização do sistema escolar e com as sucessivas alterações das regras e procedimentos, que os colocam numa situação de permanente insegurança e instabilidade.
Ao mesmo tempo, assiste-se à empresarialização das escolas: os rankings, as avaliações, o novo modelo de gestão escolar centralizando o poder na figura do director ou o crescente financiamento do ensino cooperativo ou privado, são alguns dos exemplos mais flagrantes. As lógicas da concorrência e eficácia invadiram as escolas; a ideologia neoliberal do mérito individual, da competitividade passou a ser dominante, deixando cair por terra o lema da “escola para todos”.
Quando há uns anos se falava de educação para a cidadania, preocupava-me que muitas vezes ela se centrava no civismo e não na cidadania activa e crítica, hoje a minha preocupação é que esta esteja a ser substituída pela educação para o empreendedorismo, estandarte da responsabilização individual e do darwinismo social.

Peço desculpa se dei um panorama exageradamente negro da escola, obliterando boas práticas e experiências alternativas, mas é na antítese da escola que não queremos que podemos encontrar a escola dos nossos sonhos.
Gostaria de enunciar (ou imaginar) quatro outras características, daquilo que considero que seria uma escola feliz. São reflexões baseadas em projetos que me têm chamado a atenção como a Escola da Ponte, as comunidades de aprendizagem (Espanha e Brasil), o projeto Âncora ou as experiências educativas do nosso PREC – Período Revolucionário em Curso e também das conversas críticas com os elementos do grupo de Braga O mundo somos nós e do Porto, a Escola Viva.

       1) Escola como comunidade de aprendizagem
A educação não se resume à escola e a escola não deve ser entregue a especialistas. Este é o primeiro ponto. Todos os espaços podem ser transformados em escolas, todos as pessoas podem ser professores, todas as experiências podem ser momentos de aprendizagem. E, portanto, imagino sempre o edifício escolar como um espaço polivalente e intergeracional, com um formato de associação ou centro comunitário, onde de manhã as crianças aprendem a ler e à noite os adultos aprendem a costurar, ou ao contrário… Uma escola construída e decidida por todos: alunos, pais, professores, funcionários, mas também os vizinhos, a senhora da mercearia, o presidente da junta. Aqui há umas semanas, organizamos em Braga uma semana de férias para crianças, com uma série de malta que tem colaborado com a nossa associação, músicos, pintores, actores. Quando vi um amigo, o Ferna, vocalista de uma banda de rock, a ensinar “A formiga no carreiro” e sobretudo o seu significado àquele grupo de miúdos, fiquei absolutamente comovida. Tenho dúvidas se os melhores pedagogos, os professores mais especializados conseguiriam explicar tão bem e com tanto entusiasmo como ele.

      2) Escola dialógica, para todos e todas
Só é possível transformar o mundo quando formos capazes de desequilibrar as relações de poder que persistem na sociedade. E a escola não está imune a isso. Questionar o poder, a autoridade e o saber inquestionável do professor é um dos passos mais importantes para alterar as relações de força existentes na escola e caminhar para uma educação mais justa e igualitária. A educação dialógica pressupõe a valorização dos diferentes saberes, experiências e competências que compõe o ecossistema escolar. Pressupõe o esbatimento das hierarquias não só de quem detêm os saberes mas dos saberes em si mesmo.
Uma das minhas referências preferidas de educação dialógica são as movimentações do PREC, com as suas ocupações de terras, casas, fábricas, a criação de comissões de moradores e trabalhadores; com as campanhas de alfabetização; os jardins-de-infância e escolas populares e autogestionados. Um período onde, como dizia há dias Teresa Medina, “todos aprendiam com todos”, horizontalmente. A Escola da Ponte é um dos poucos (se não único) exemplo que sobrevive dessa época, ainda que, actualmente, se encontre ameaçada pela burocracia e a perda de autonomia. E não é por acaso que é para essa escola que vão muitos dos excedentes das outras escolas: os alunos que não se integram, que têm dificuldades, que aparentemente não gostam de estudar. Lá o entendimento de escola pública é autêntico: a escola é para todos e todas, sem distorções ou excepções.

       3) Escola viva, criativa, curiosa
A passagem do jardim-de-infância para o 1º ano é carregada de seriedade. Fim da brincadeira. Quando chega à escola não há mais jardim, obrigam-na a
sentar muito direita na cadeira, a fazer silêncio e a ouvir o professor. Insistem que ela cresça, como se a imaginação fosse um vício de infância (uma expressão do poeta Georges Jean).
Aqui há uns tempos perguntei à Alice que não tem ainda cinco anos o que era a escola (isto porque a prima foi este ano). Ela respondeu-me com um ar solene: é estar muito tempo na cadeira. E mais? Perguntei-lhe eu: “tanto, tanto, tanto tempo na cadeira.” Por isso, a melhor imagem que consigo criar para a escola é a de uma oficina. Alguns miúdos num canto a jogar tangran, uma criança a desenhar no chão, um outro grupo a pesquisar, pais e professores a circular pela sala, ouvindo, sugerindo, auxiliando, questionando. Um laboratório de cores, de sons, onde crianças e adultos experimentam, desenvolvendo a curiosidade, “insatisfeita, indócil”, como Paulo Freire dizia. António Torrado, num livro muito bonito, mas pouco conhecido “Da escola sem sentido à escola dos sentidos”, considerava professores e alunos “inseparáveis vertentes”, “mutuamente desafiantes, “erguendo o mesmo cume, o da inquietação, pelos caminhos da cumplicidade criadora”.
Uma escola viva é por isso uma escola onde se aprende com as mãos, com a natureza, com os sentidos, com os afectos e os desafectos, uma escola que cresce e aprende com todos os que fazem parte dela. Há verbos que obrigatoriamente deviam preencher as paredes das salas: descobrir, criar, questionar, reflectir, debater, construir, jogar e claro, brincar…
As várias expressões artísticas devem pois, no meu entender, ocupar grande parte do quotidiano escolar, por permitirem criar metáforas, por permitirem aceder a visões do mundo que a palavra nem sempre consegue atingir.

       4) Escola crítica e transformadora
Como já referi, é urgente quebrar este divórcio permanente entre a escola e o contexto micro e macro onde está inserida. Neutralizá-la, despolitizá-la, desvinculá-la da realidade é um perigo que serve às classes dominantes. Da criança não se pretende que seja um espectador passivo, mas um actor crítico e desperto. Por isso devem ser dadas oportunidades para aprender a democracia exercitando-a. Já tivemos o privilégio de ouvir a Rosinha falar da participação infantil. Como ela, acredito que a cidadania não é um atributo que se ganha com a maioridade. A cidadania nasce quando a criança é capaz de reivindicar as suas necessidades e isso acontece muito cedo, ainda no berço. Como a Rosinha disse num fórum participativo que tive o prazer de organizar com a sua colaboração: “os adultos têm de descer das suas andas e as crianças têm de calçar os seus sapatos altos”. É essa inversão que poderá garantir a visibilidade e legitimidade necessária para que elas possam intervir política e socialmente. Essa participação não deverá ser porém um exercício mimético das processos pseudo-democráticos dos adultos: eleições, comissões, representatividade. A participação infantil deve usar uma linguagem específica, as estratégias devem ser adequadas ao seu desenvolvimento e aos seus interesses, devem ser exploradas novas modalidades que rompam com o adultês. E não faltam instrumentos para democratizar a educação: círculos diários; assembleias; delegados de turma; tomadas de decisão coletivas que vão da ementa de refeições aos conteúdos curriculares, entre tantos outros. Falta é vontade política.
Li recentemente uma entrevista a Gilles Delueze, um filósofo francês, em que ele dizia: “Se as crianças conseguissem que os seus protestos ou, simplesmente, as suas questões, fossem ouvidos numa escola primária, isso seria o bastante para explodir o conjunto do sistema educativo.” Enquanto elas não são ouvidas – infelizmente – creio que temos de ser nós adultos a fazer essa mediação, a escutá-las e questioná-las, bem como aos seus pais e todos quanto fazem parte da construção educativa. É preciso enfrentar o receio, a passividade, e este “é inevitável” paralisante.
Não acho que se deva deixar de desistir da escola pública – essa imprescindível conquista democrática, de que não podemos abrir mão, mas é preciso analisá-la critica e despudoradamente, pressionando-a, por dentro e por fora. Ao mesmo tempo sinto que é preciso reabilitar a arte de imaginar outras escolas, pensar com as mãos e sonhar com os pés, acreditar, resistir e construir. A partir também de momentos como os que tivemos aqui ontem e hoje.

Adenda pós comunicação:
No final desta comunicação, a Rosa Madeira introduziu um ponto que me parece essencial. A grande diferença entre o que se passou no pós 25 de Abril e o que vemos hoje, nesta tentativa de criação de alternativas para a instituição escolar (nas quais eu também me insiro), está em que, em 1974, o objetivo era o bem comum, havia vontade de transformar, mas a tónica era sempre no coletivo. Hoje, corremos o risco de, em nome da liberdade, criarmos pequenos nichos que põe em risco a ideia fundamental da “escola para todos”. Esta é uma preocupação que devemos ter sempre em mente e procurar estratégias que a salvaguardem.

Inês Barbosa
(doutoranda da Universidade do Minho)

 

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Objectivos do Encontro

Este encontro visa essencialmente a busca de caminhos para uma educação mais aberta, feliz, livre e colaborativa.
Estarão em discussão múltiplas possibilidades, perspectivas e modos de educar – através de um amplo leque de experiências e contextos apresentados por diversos/as intervenientes.

As aldeias do Nordeste Transmontano são, actualmente, territórios partilhados por vários grupos cujas diversidades reflectem experiências, culturas, níveis de escolarização, interesses e expectativas variadas relativamente à educação das suas crianças.

Esta multiplicidade de espectativas face à escola interroga cada vez mais a aprendizagem baseada em ideias e espaços normativos e disciplinadores, hoje assunto muito crítico. Por outro lado, a educação (não) (in)formal em contexto de liberdade, não-violência, harmonia e sustentabilidade entre todos estes elementos é sentida cada vez mais como necessária por parte de pais/mães, vizinhos/as, educadores/as, colectivos, autarquias… e sobretudo pelas crianças. Além disso, sabe-se que existe uma relação directa entre contextos em que se reconhece a cidadania das crianças, e entre o grau em que se lhes faculta a proximidade com a realidade concreta. Esta é a via para manter viva a curiosidade das crianças, crescer como melhor pessoa e contribuir para uma melhor sociedade.

Afinal, para encontrar espaços de crescer, aprender e ensinar no Nordeste Transmontano, queremos esta região a falar através das suas gentes e colectividades e crianças na aldeia de Atenor. É esta aldeia que organiza e se abre a múltiplas perspectivas na diversidade de intervenientes, em conversas/debate, oficinas, convívio, curtas e espaços de discussão.

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CONTACTOS

e-mail: crescer.aprender.ensinar@gmail.com

telefones: 273739230/ 935994441/ 932001625

facebook:

https://www.facebook.com/crescer.aprender.ensinar

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ALOJAMENTO(S)

Contacte-nos se está a procura de alojamento durante o Encontro na região: crescer.aprender.ensinar@gmail.com

No concelho de Miranda do Douro:
1. Centro de Acolhimento Juvenil – Barrocal do Douro, Tel. (+351) 273 430 020 / 273 430 025 (Nota: 16€/quarto, cada quarto tem dois beliches)

2. Residencial “Planalto”, Rua 1º de Maio – Miranda do Douro, Tel. (+351) 273 441 362

3. Residencial “A Morgadinha”, Rua do Mercado, 57-59 – Miranda do Douro, Tel. (+351) 273 438 050

4. Residencial “Cabeço do Forte”, Rua do Forte, 10 – Miranda do Douro, Tel. (+351) 273 431 423

5. Residencial “Santa Cruz”, Rua Abade de Baçal, 61 – Miranda do Douro, Tel. (+351) 273 431 374

6. Hotel “Turismo”, Rua 1º de Maio – Miranda do Douro, Tel. (+351) 273 438 030

7. Estalagem “Santa Catarina”, Estrada da Barragem – Miranda do Douro, Tel. (+351) 273 431 255

8. Residencial “O Encontro”, Estrada Nacional 221 – Sendim, Tel. (+351) 273 739 244 (mais próximo do lugar da actividade)

9. Residencial “Imperial”, Largo da Cruz – Palaçoulo, Tel. (+351) 273 459 347 (mais próximo do lugar da actividade)

 

No concelho de Vimioso:

1. Turismo Rural “Casa dos Pimentéis” – Vale de Algoso, Tel. (+351) 964 011 817

2. Turismo Rural “Casa das Quintanas”, Bairro das Quintanas, 4 – Caçarelhos, Tel. (+351) 969 113 124

 

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